sexta-feira, 23 de março de 2012

No palco

Dona Agatha, mulher prendada que só, apavorava também em outras vertentes. Este último livro lido, Testemunha de Acusação, é a transcrição de 4 peças para teatro. Hum... na verdade, 2 peças e 2 adaptações.

Coisa de leitura rápida, como nos contos. Os acontecimentos são apresentados rapidamente, seguido das soluções. Sem muita neura.

O primeiro, que dá nome ao livro, é o melhor. Um homem é acusado de assassinar uma senhorinha fofa, e o veredito depende exclusivamente do depoimento de sua mulher, uma personagem bem enigmática. A estória se passa toda entre o escritório dos advogados de defesa e o tribunal. Muito intenso, rápido e surpreendente. Curtí.

Já Hora H é uma adaptação de Hora Zero, livro que já passou pelo crivo resenhístico desta que vos escreve (resenha aqui). A autora passou um facão em vários detalhes, mas não perdeu em nada. Continua muito bom.

Veredicto é uma bobagem sem fim. Homem tonto e super apaixonado pela mulher inválida, que acaba sendo assassinada. Ele é um professor muito conceituado que foi expulso da terra natal por abrigar alguns refugiados. Agora vive de favor na Inglaterra, dando aulas particulares. Mora com a esposa, a prima da esposa que ajuda a organizar a casa e uma empregada aproveitadora. Mas como o cara é muito imbecil me irritou um pouco. Uma peça muito inocente e romântica, acho que deveria funcionar na Inglaterra vitoriana...

Agora, esse último me deixou ressabiada... Retorno ao assassinato conta a estória de Carla Crale. Aquela que vai atrás de Poirot para que ele investigue o crime cometido pela sua mãe, Carolina Crale. Olha só, tenho certeza de que já lí este livro para o Desafio Agatha. E também já ví essa estória num filme. Mas cansei de caçar a resenha aqui e não acho! Será que lí e não resenhei??? Ai Jesuissss....

Bom, se não resenhei antes, vai agora: Amyas tem a cara de pau de levar a amante, Elsa Green, para passar um final de semana junto com sua família na casa de campo. E acaba assassinado - o que eu achei muito bem feito (AHAHAHAHAHA - risada maquiavélica). Daí sua mulher, Carolina, é acusada, e aceita tudo passivamente. É condenada e alguns anos depois morre na prisão.

Ao completar 18 anos, Carla Crale recebe uma carta póstuma de sua mãe, em que esta afirma que é inocente. Daí a menina não sossega enquanto não descobre o que realmente aconteceu naquele final de semana. No livro original esta tarefa cabe à Poirot. Nesta adaptação quem a ajuda é Justin, filho do advogado que cuidou do caso na época. Muito bacana.

Nunca fui fã de ler peças de teatro. Acho um saco as marcações de palco - elas acabam com a maior graça de um livro: o trabalho de imaginação do leitor. Li este só por obrigação, mesmo. Mas pra quem gosta, é um prato cheio!

Testemunha de acusação e outras peças
Agatha Christie
Ed. Nova Fronteira
371 páginas
Nota: 6/ 10

terça-feira, 20 de março de 2012

Eu te disse, eu te disse

Não falei que a próxima resenha iria aparecer por aqui rapidinho? Ainda mais que esta não é nenhuma obra prima Agathachristiniana!

Mas não deixa de ser um clássico. É a velha estória do velho rico que se apaixona por uma moça estrangeira sofrida e linda linda linda. Daí o velho morre antes de fazer um testamento e toda a grana sai das mãos dos familiares e vão para a mão da golpista. Ou será que ela não é golpista?

Piora um pouco a avaliação de caráter da moça quando a gente descobre que tem um irmão abusado aê que não larga do pé dela, sempre cuidando de "seus interesses".

Então as coisas se enrolam um pouco. Descobre-se que todos os integrantes da família estão em dificuldades e a herança seria tão bem vinda... descobre-se também que a mocinha aventureira era viúva antes de se casar com o milionário e, bem, talvez ela não era tão viúva assim. E Poirot é, então, envolvido no assunto.

O primeiro assassinato a gente já sabe que vai rolar. Os outros é que são surpreendentes. Quando você pensa que descobriu a resposta, alguém morre e muda toda a teoria!

Seguindo a correnteza
Agatha Christie
Ed. Record
173 páginas
Nota: 6/ 10 


segunda-feira, 19 de março de 2012

Um minuto de silencio

Outono

O azul do céu no Outono é diferente... vocês conseguem perceber?

Adoro o Outono.

Sunny days are coming

Verdade, demorei muito. Mas quando o livro não é em português, eu posso tá? Tem que ler mais devagar... tem frase que tem que ser lida duas vezes pra dar sentido... e tem hora que o pai dos burros (vulgo dicionário) é convocado. Aprendizado, gente linda.

E ontem a noite, finalmente e com uma certa dor no coração, finalizei Solar, de Ian McEwan. Como já tinha disparado antes por aqui, me diverti demais. Realmente não conhecia essa ironia fina do autor. O estilão é o mesmo de sempre, bem construído, fácil de visualizar, enredo daqueles que agarram. Mas ao propôr um protagonista tão imperfeito, bem, você acaba torcendo por ele e se esquece um pouco da densidade toda.

Michael Beard é um cientista gordo, preconceituoso, machista, mulherengo, fraco. Ganhou um prêmio Nobel há muito tempo e vive desse reconhecimento. Segue numa vidinha medíocre, traindo a quinta esposa (como fez com as quatro anteriores) e existindo sem muitas ambições.

Daí a quinta esposa resolve pôr-lhe um belo par de chifres. Daqueles bem públicos e vistosos! Beard dá uma surtadinha básica e.... quebra! Ô homenzinho desprezível... enquanto decide o que fazer da vida ele começa a trabalhar num grande centro de pesquisas governamental, onde conhece Tom Aldous, um jovem e simpático cientista preocupado com o aquecimento global.

Beard, que segue vivendo da sua empáfia, recebe um convite para participar de um evento no Ártico e ao voltar encontra o jovem Tom Aldous de roupão na sua sala. Como é? Ooooh yeeeaaah, a quinta esposa ataca novamente! Quando ele ameaça o jovem de defenestração do centro de pesquisas governamental, Tom se desespera e, ao tropeçar no tapete de pele de urso, cai e bate a cabeça na mesa. E morre. Lascou-se.

Acha que o nosso herói assume isso? Claro que não! Rapidinho acha outro pra botar a culpa e se livra do "assassinato acidental". Espertinho. Além de mandar outro cara pra prisão (by the way, o outro amante da quinta esposa), Beard se apropria das pesquisas de Aldous e aqui o romance avança alguns anos, quando vemos nosso gordinho arrogante montando toda uma parafernália que irá gerar energia limpa e salvar o mundo do aquecimento global, se preparando para ganhar mais um nobel.

Dizendo assim não dá pra acreditar que cria-se empatia pelo cara, né? Mas a narrativa em 3a pessoa descrevendo os processos mentais do personagem, bem, ás vezes é tão absurdo que vai te fazer rir. Como quando ele diz que o sócio dele deve relaxar, porque a catástrofe mundial é inevitável - e os negócios deles irão prosperar por conta disso. Ou quando ele tece comentários absurdamente caricatos e machistas a respeito de mulheres na ciência e acaba sendo agredido por milhares de ativistas.

É um coitado, sabe. E Ian McEwan segue como um dos meus autores ingleses preferidos!

Solar
Ian McEwan
Vintage UK
283 páginas

Prometo que a próxima resenha vem mais rapidim. Afinal, é Agatha, minha gente!!!

domingo, 18 de março de 2012

Areal

Se você estiver de bobeira pela Paulista e passar na frente do Sesi, dá uma olhadinha na exposição Jóias do Deserto.

Segundo o site do Sesi, o "Acervo traz cerca de 2000 peças entre brincos, colares, braceletes, vestes, tornozeleiras e adornos peitorais e de cabeça do século XIX e início do XX, além de fotos de alguns dos principais desertos do mundo e de seus habitantes, reunidos e retratados por Thereza Collor em suas viagens"

Ouro, muito ouro!

Incomodada ficava a sua avó

Ontem fui no cine com a Gaby Colombo, uma das responsáveis por este projeto aqui ó.

E nós que somos lindas e intensas queríamos ver um filme do jeito que gosto do meu café:  forte. E a primeira opção foi o ganhador do oscar, A separação. Iraniano. Fazia tanto tempo que não via um filme iraniano... que alegria!!!


Quer dizer, que nervo. Sabe como são filmes iranianos, né? Não? Faço um resumo pra você: uma procissão de questionamentos éticos e religiosos sem fim.

A mulher quer ir morar nos estrangeiros pra ter um pouco mais de liberdade na educação da filha adolescente. O marido não quer ir porque o pai tá num estágio avançado de Alzheimer. Ela pede o divórcio por causa disso... e o juíz manda ela ir lavar um tanque de roupa que isso não é motivo pra se separar.

A partir daí se encadeiam acontecimentos que culminam com a separação real do casal.

Olha, eu fui crente que iria assistir um filme sobre relacionamento, e vou te contar que a crise do casal é o que menos importa na estória. O incômodo todo é causado pelas relações entre o homem que não quer se separar e a mulher grávida e devota contratada para cuidar da casa e do pai com Alzheimer. É daqui que vêm as questões ético e religiosas que ficam assombrando a gente o filme inteiro.

E gente, que dó de todo mundo. Quando você pensa que a coisa tá feia acontece alguma coisa que piora tudo. É o tipo de filme que me faz sentir o ser mais abençoado do planeta, sabe? Meus problemas não existem perto disso - e acredito fortemente que as situações alí mostradas não são tão distantes da realidade, não.