segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Divagando

Meu coração é replica do que foi
numa manhã tépida de domingo
quando a luz do sol me enternecia
quando ter você era tudo o que eu queria.

Meus sentidos respondem sem razão
do lastro de consciência que corta
a saudade de um tempo bom
a vontade que não exorta

Esse ar que me envolve sem a aura
sagrada repetida semana pós semana
me choca e convalece
espanta e enaltece
o tempo que passa.

E eu fico.

O que não fazer no final de semana...

Então. Filminho longo, hein?
Tive a sensação que aproveitaram uns pedaços de "Indepence Day" e "Titanic". Mas deve ser apenas impressão... oooou será que não???
Se for isso infelizmente desprezaram uns detalhes que fariam toda a diferença: os lances de humor do 1º e o amor platônico do 2º.
Tem cenas GRANDIOSAS, mas não segura... diálogos fracos, desnecessários. Too long.
Adoro o John Cusack, mas não recomendo!


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Abandono

Aperto a carne fria do teu rosto contra o meu
Não reconheço o amargor que me invade o peito
e congela meus dentes trincados.

Padeço a dor dos que acalentam sonhos
plantam nuvens e colhem lágrimas
desperdiçando suspiros úmidos em campos infertéis.

Pereço de uma melancolia perene
uma apatia que me consome aos poucos
corroendo alma, exaurindo vontades.

Sofro com a conformidade
de quem aceita o destino como findo
e espera piedade, perdão,
em sacrifício.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Psicodélicos!


O Tigre Branco

Som, Som! Krishna Das - "Om Namah Shivaya"
http://www.youtube.com/watch?v=Zpu6bMhM_L0

Que descrição mais interessante de uma cultura!

Aravind Adiga, de maneira bem humorada, faz uma autópsia das relações sociais indianas. Um indiano escrevendo "ocidentalmente" sobre o próprio país.

O livro é a carta que o narrador, Balram Halwai, escreve ao primeiro-ministro chinês que estará em visita à Índia procurando por jovens empreendedores. Balram é um empreendedor, e sua carta é a defesa dessa afirmação.

É um tratado filosófico de um país muito rico e muito pobre! E passa longe das cidades yoginis, seus mitos e ashrams. Nada de calma e tranquilidade - apesar dele defender o yoga em alguns momentos.

Adorei essa passagem: "Os sonhos dos ricos e dos pobres não tem nada em comum, não é mesmo? Veja bem, os pobres passam a vida toda sonhando em ter o que comer e ficar parecendo os ricos. E estes sonham com o quê? Querem emagrecer e ficar parecendo os pobres." (p. 187)

Alguns fatos lembram um pouco as patotas que ouvimos pelo brasil brasileiro. Corrupção onde há muito dinheiro, e muita gente sofrendo pelo (muito) conforto de poucos: "Antigamente, havia mil castas e destinos na Índia. Hoje, só há duas castas: a dos homens barrigudos e a dos homens sem barriga. E apenas dois destinos: devorar ou ser devorado." (p. 58)

As castas... tão comentadas e incompreendidas. Ele tem uma definição muito boa, uma visão bem crua do sistema de castas. Vale a leitura, vai quebrar alguns paradigmas.

Os chefões do campo tem um quê de Id Amin Dada. Nada muito descritivo, apenas algumas citações sobre as vinganças cruéis que se abatem por toda uma família (curioso? Assista "O ultimo rei da Escócia" - prepare o estômago, é punk).

Muitíssimo interessante a fascinação de Halwai pelo Forte abandonado, próximo de sua aldeia, dominado pelos macacos. Pra quem conhece um bocadinho de mitologia indiana, o deus macaco (Hanuman) é a personificação da força servil, da dedicação absoluta por um ideal - ou um patrão, no caso do narrador.



O protagonista é um assassino confesso, mas é difícil condená-lo apesar de tudo. Ainda mais sob a ótica empreendedorista: ele é um exemplo de empresário de sucesso! Jai!

E meus agradecimentos para a Gaby Colombo que me emprestou o livro! Gaby, devorei-o em um dia!!!! Gentem, leiam a análise do Clube de Leitura, blog da Gaby e da Andréa, clicando aqui.

Vale a pena:
O Tigre Branco, deAravind Adiga
Ed. Nova Fronteira

Namastê!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O brigadeiro

Tina havia acabado de moldar o último brigadeiro. Pôs na bandeja com os outros. Não eram muitos, mas dava pra distrair a sua turma viciada em chocolates. Foi ver se o bolo estava pronto. Ia ser uma grande festa.
"O bolo já está pronto" - pensou Tina. Tirou-o do forno e foi ver televisão enquanto a massa esfriava.
Julinho, depressa e silenciosamente fugiu da sala e foi pra cozinha. Comeu os brigadeiros, até se empaturrar, sobrando apenas um. Todo feliz e cheio de açucar, saiu pela porta dos fundos e foi brincar com Tisiu, o cachorro.
"Nossa, como aquele ator é lindo!" - pensava Tina enquanto voltava à cozinha. E então...
- AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!
A mãe de Tina correu pra cozinha, com os cabelos em pé devido ao susto.
- O que foi menina???
- Ah mãe... os brigadeiros sumiram! Sobrou apenas um! Na certa não quis fugir com os outros...
Nesse momento Julinho entrou na cozinha e ouviu o relato desesperado da irmã sobre o sequestro dos brigadeiros por seres espaciais.
- Ah! Então foi você quem fez os brigadeiros? Estavam muito bons, não consegui párar de comer! 'Brigado, mana!
E saiu correndo, deixando a irmã prostrada na cadeira. Não havia tempo de fazer outra remessa, e não adiantava fingir: seus amigos iriam cobrar. Talvez devesse adiar... mas então Tina teve uma grande idéia! E foi se arrumar, toda feliz.
Quando todos os convidados chegaram ela ficou esperando a fatídica pergunta (e os brigadeiros?). Mas esta não aconteceu. Ela ficou espantada, sem saber que seus amigos combinaram serem bem educados, ou seja, não fazerem comentários maldosos ou notar coisas estranhas.
Mas já ao final da festa alguem não aguentou e perguntou:
- Tina! Onde estão os brigadeiros?
No começo a turma ficou meio irada pela quebra do combinado, mas depois...
- Ô Tina, isso é coisa que se faça? Deixar a gente sem brigadeiros...
- Ah Tina... eu quero brigadeiro...
E Tina então expôs sua grande idéia:
-Ei pessoal, eu fiz uma bandeja enorme de brigadeiros...
- Eba! Viva! Maravilha!
-... mas aconteceu um pequeno acidente e sobrou apenas um. Por isso vamos fazer uma brincadeira, e quem vencer fica com o doce!
E foram todos brincar. Quero dizer, todos não: João ficou ao lado do doce, e quando saíram de perto ele o agarrou e saiu correndo. E correu tanto, tanto... que tropeçou fazendo o doce voar longe, e aterrisar no colo de Ana, que iria colocá-lo na boca se Sabrina não o pegasse e colocasse de volta na bandeja. E agora foi a vez de Roberto roubá-lo e levar pra Suzie, sua namorada. Mas ela estava de regime e tacou o doce longe! Mais precisamente na cabeça de Tina! Fazendo todos caírem sobre ela e foi aquela guerra!
Todos lutando pelo doce, e ninguem notou quando o brigadeiro rolou de lá e caiu aos pés de Tisiu, que mais que depressa abocanhou a prenda e saiu abanando o rabo, feliz.

(...)

"Mentiram-me ontem, e hoje mentem novamente. Mentem de corpo e alma, completamente. E mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente, (...) e de tanto mentir tão bravamente constroem um país de mentira diariamente."