quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Devoradora de livros

Os treze problemas
Nota: 8/ 10

Mais um livro da sessão "ai como eu sou fofa" da Agatha Christie!

Esse livro é uma seleção de contos curtinhos, todos muito bem amarradinhos. Hi, rimei! A heroína da vez é Miss Marple, que com a sua visão (e ouvidos) atentos percebe nuances da alma humana que justificam certos atos.

A estrutura da estória é um grupo de amigos que se reúne para contar fatos misteriosos. O narrador vai se alternando e os ouvintes têm que deduzir a solução do caso. Elementar meu caro Watson.

Óbvio que a Dona Marple acerta tudo e deixa todos de boca aberta. Tipo, no começo ninguém dava nada pra velhinha, sabe? E ela arraaaaaaaaasa.

Gostei de todos os contos! Em especial do último, que ainda nem tinha acontecido e mesmo assim a velhinha fantástica acertou o meliante! Tem também o conto das duas senhoras inglesas mutcho respeitáveis e uma delas morre - aparentemente, afogada. É bão também. E o da mulher que é assassinada no quarto de hotel e Miss Marple descobre tudo o que aconteceu quando o narrador informa que o "chapeu não coube na cabeça da pobre assassinada". Curioso, não?

Leitura de busão! Um conto e já chega o meu ponto! Hi, rimei de novo!!!!

Mais um livro devorado!

Para o desafio de Setembro a meta era a leitura de um romance histórico. Deveras agradável! Gosto de romances históricos... geralmente são livros fofos.

Escolhi O físico, do Noah Gordon. Não sei porque enfiei na minha cabeça que era um lançamento recente e fiquei um pouco chocada ao ver que na verdade a 1a edição dessa estória foi em 1.986! Se ainda reeditam, sinal que o livro é do bom. Pelo menos vende bem... hehehehe....

Segundo choque com o dito cujo: o título original em inglês é "The physician". Quando eu era uma criancinha meiga pura e besta aprendi que physician = médico. E a tradução em português ficou como... O físico! Ai ai ai....

Terceiro e último choque: tenho a nítida impressão de que esta edição não passou por um revisor... váaaaaarios erros de ortografia e digitação!

But it's ok. O livro é bom. A estória é longa. Difícil de carregar... mas eu não larguei! Foi uma semana acompanhando o protagonista de lá pra cá, de cá pra lá.
Robert J Cole é um molequinho da Inglaterra, que era um lugar bem sujo e pobre, pelo jeito. Os pais de vida sofrida e prole numerosa logo morrem e a família é dividida pela doação dos orfãos. Rob ainda é pequeno para o trabalho, mas grande o suficiente pra "comer demais e dar preju" então não consegue uma família que o adote.

Mas ele é bem esperto e acaba sendo adotado por um barbeiro-cirurgião - profissão bem comum na época. O cara fazia umas apresentações de malabarismo, contava umas estorinhas e atendia o povo doente vendendo um tônico milagroso - que era basicamente cachaça com algumas especiarias.

O barbeiro cuida bem dele e Rob cresce forte e aprende todos os truques da pseudo-profissão. Vivem bem assim, viajando, vendendo tônicos e atendendo mal e porcamente alguns doentes.
Mas nas andanças Rob acaba conhecendo um judeu médico de verdade. Rob também quer ser um médico de verdade!

Quando o barbeiro morre ele vai atrás desse desejo. Descobre onde fica a melhor escola de medicina "do mundo" (na Pérsia!) e vai pra lá estudar com o maior médico do Oriente. Puta viagem complicada. Mas no caminho ele conhece a mulher que será sua esposa. Romântico, hein?

Bom, Rob é cristão e nunca conseguiria entrar nessa escola que fica em solo mulçumano. Ele, muito esperto, tem a brilhante idéia de fingir que é judeu. Numa das caravanas que ele fez parte se aproximou de um grupo de judeus e foi aprendendo os trejeitos, a língua, os costumes.

Quando finalmente chega na Pérsia, ele já é Jesse ben Benjamin. Cool.

Bom people, o livro tem quase 600 páginas, não vou dar conta de tudo o que o cara aprontou. Mas se eu fosse vocês, dava uma chance para o físico que na verdade é o médico!

Meme - dia 15

15. Uma fotomontagem:

Navengando nas internetes encontrei o trabalho do Carlos Paes. Ele trabalha com ilustração, fotografia e infografia e é colaborador da revista Exame. Excelente o site dele, quem quiser navegar clique aqui.

Eu acho o máximo esse tipo de trabalho - principalmente porque não manjo nada disso de computação gráfica, sabe? Então pra mim tudo é meio... mágico!

A fotomontagem abaixo foi intitulada Ovo de Colombo:

Fonte: http://crgpaes.wordpress.com/2009/09/30/ovo-de-colombo/

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Meme - dia 14

14. Um livro não-ficcional:

Seu sangue é ouro
Lara Owen

Um livro que toda mulher deve ler. Agradeço especialmente à Sabrina Alves que me indicou a leitura.

Nesse  mundo maluco em que vivemos, em que somos estimuladas, cobradas e pressionadas de diversas formas, é necessário um lembrete do que é ser mulher.

E se esse lembrete nos fortalece e incentiva à (re)conhecer e respeitar nossa essência alem do tempo, Jai Maha Devi!

"Quando a mulher descobre sua beleza interior, ela passa a exalar esta beleza de uma forma plena e total, nada pode ser mais bonito e divino do que ver esta essência transbordando em seus olhos e assumindo seu corpo em cada gesto, em cada palavra.
É uma dança divina, é um presente do universo!" (Vipassana)

Ilustração e citação retiradas do site Clã Filhas da Lua

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Meme - dia 13

13. Um livro de ficção:

George Orwell

Clássico. E incrivelmente atual.

Setembrochóve

Viva Setembro!!!

Acho que é o final do inverno, o tempo esquentando num início de primavera, final de um ciclo e começo de outro, sei lá. Mas Setembro sempre me emociona.

É como se o ano estivesse se iniciando agora...

O que tinha de morrer, findou durante o Inverno. Assim como o que tinha que ser projetado, foi nutrido no acalento das horas frias.

Agora é abrir as janelas, bater os tapetes, varrer o chão. E se preparar para o florescer, para as cores, para as borboletas!

Viva Setembro. Intensamente.

domingo, 12 de setembro de 2010

Meme - dia 12

12. Um conto

A galinha
Clarice Lispector

Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.

Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se pode­ria contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, pare­cia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:

— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!

Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:

— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!

— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.

Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: “E dizer que a obriguei a correr naquele estado!” A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.

Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.

Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.

Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.